Índia: uma rota clássica
Nossa jornada começou na capital Deli, para onde toda a Índia converge numa mistura alucinada de cultura e política. De um lado a maioria hindu (predominante no sul) e, do outro, a minoria muçulmana (predominante no norte) vivem atualmente um momento de tensão política. Isso, porém, não afeta o dia-a-dia da cidade mais cosmopolita da Índia. Em apenas 20 dias no país, acompanhamos através do noticiário uma sucessão de atentados à bomba orquestrados pela oposição muçulmana fundamentalista contra o governo hindu liderado pelo primeiro ministro Manmohan Singh, assim como a prisão de suspeitos de terrorismo. A parte disso, a Índia segue a vida lutando para combater os altos índices de pobreza e se estabelecer como um das novas potencias mundiais.
Depois de um compensador fim-de-semana em Deli, e ainda nos adaptando aos cheiros e sabores da Índia, seguimos para Agra (a cerca de 200 km da capital) para ver o Taj Mahal. Optamos por passar duas noites lá para termos a oportunidade de gastar um dia completo na cidade, onde também é possível visitar o imponente Forte de Agra. É importante lembrar que viajar por terra pela Índia é uma tarefa que vai consumir pouco dinheiro, mas muito tempo. O país é grande e bem servido em termos de ferrovias e rodovias, porém os atrasos são uma constante e a dificuldade de encontrar tíquetes na alta temporada pode arruinar quaisquer planos. É preciso acrescentar ainda que descobrir a Índia por terra é um desafio que demanda persistência, coragem e desapego ao conforto. Porém, é uma experiência de vida.
Comida, higiene e drogas
A Índia é famosa por oferecer uma das culinárias mais ricas do mundo. A tradição das especiarias, que colocou o país por quase 500 anos sob sucessivos domínios de países europeus, permanece viva e, com o perdão do trocadilho, ardente. Contrariando a lógica cartesiana, comer nas ruas pode ser mais saudável do que em restaurantes, uma vez que os hábitos de higiene estão muito abaixo dos padrões internacionais. Se decidir comer na rua, tenha certeza de que a comida está sendo preparada na hora e com ingredientes frescos, o que acontece na maioria das vezes. Entretanto, a comida apimentada será um desafio maior para estômagos e intestinos do que a higiene em si. A grande maioria dos indianos são vegetarianos, o que proporciona uma comida bem leve e altamente digestiva. Portanto, abondone seus preconceitos e tente experimentar as maravilhas culinárias do país. Para os carnívoros vale avisa que cardápios não-vegetarianos se resumem ao acréscimo de frango (hindus não comem carne de vaca, por óbvias razões) aos pratos originalmente vegetarianos. Em resumo, a culinária será um dos fatores mais ricos numa viagem à Índia.
Um kit básico de higiene que inclua papel higiênico, bactericidas e lenços é fundamental para sobreviver na Índia. Em destinos turísticos, como a rota clássica, esses ítens são encontrados com facilidade. Porém lembre-se de estocá-los na sua mala para viagens a destinos menos turísticos e longos trajetos de ônibus e trem. No que diz respeito a água, NUNCA, JAMAIS arrisque-se a tomar água que não seja engarrafada (mineral ou purificada) e, se for o caso, mantenha uma garrafa para escovar os dentes no quarto do hotel. Mas não seja paranóico, pois há uma grande oferta de água potável no país. O único problema é que não existe um controle extensivo de qualidade dessa água, dificultando a identificação entre a boa e a ruim. Em 2o dias no país, não tivemos qualquer problema de saúde.
Outra coisa importante: drogas na Índia é algo amplamente disponível. Muitos vendedores de roupas, motoristas de tóc-tóc, vendedores de comida, recepcionistas de hotéis etc. conduzem esse tipo de atividade paralelamente, além dos traficantes em tempo integral. E é possível encontrar de tudo, de baseados a ópio. Tome cuidados em relação a esse tipo de oferta, mas se você estiver no clima de embarcar nessa viagem evite ruas pouco habitadas e escuras. Você pode ir de consumidor à vítima num estalar de dedos. A polícia, que normalmente poupa os ricos turístas de embarassos e problemas diplomáticos, está pegando pesado no combate ao tráfico, conforme acompanhamos nos noticiários, e incluindo estrangeiros na lista de alvos de suas diligências. Portanto, fique alerta e lembre-se que a Índia já é uma grande viagem em si própria.
Leia também:
Terra das mil especiarias e deuses... e do Taj Mah...
4 Comentários:
amigos, que vontade de conhecer a Índia depois de ler este texto... as impressões de vcs são inspiradoras...
Rê, AMEI teu post sobre o Taj Mahal... quero muito conhecer este lugar um dia.
Amiga tuas fotos do orkut também estão sensacionais.
Acompanho tudo sobre esta viagem.
Gostaria de poder ouvir tuas histórias desta aventura. Devem arrepiar...
bjos para vcs
Há alguma liberdade pra fazer comentários neste blogg? se não for pra agradar o seu autor, certamente não!
Caro Marco, estamos abertos a críticas e sugestões. Mas evitamos proselitismo religioso.
Quer uma sugestão? Mostre a verdade sobre a Índia, 92% da população de miseráveis, 53% das crianças abusadas sexualmente e na maioria das vezes pelos próprios pais.
Mostrar a parte linda que representa a minoria é um total desrespeito com a maioria esmagadora que tanto sofre. Dê a sua contribuição.
É verdade a Índia tem as suas maravilhas, mas elas não se comparam à miséria que lá existe. A minha sugestão em resumo é essa: seja mais claro!
Obrigado.
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