quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Alguém precisa avisar os chineses: o mundo está em crise

Na China cidades surgem do nada. Onde havia apenas campos de arroz, hoje habitam cidades modernas construídas em tempo recorde. Xangai (foto) não é exceção.

Do outro lado do mundo prédios e empresas nascem todos os dias. Quem retorna à China após alguns anos, ou até meses, fica atordoado com as mudanças, perdido com tantas ruas novas, pontes e metrôs. A China não pára de crescer. Viajando de Hong Kong para as cidades de Dongguang, Xiamei, Hangzhou, Xangai e Pequim -- entre as mais modernas da China -- vê-se esse processo a olho nú. Com apenas 20% de terra cultivável, o país constrói e fabrica para alimentar a sua população. Afinal, a quantidade média de terra cultivável per capita na China é de somente 0,08 hectares, um terço do nível médio mundial. A luta contra a fome está londe de ser vencida. Afinal, a população é imensa: 1,3 bilhões em 2005. Só no ano da pesquisa, a população aumentou em 7,68 milhões, o equivalente a toda população da Suíça. Isso tudo mesmo com a política da natalidade, de um filho por casal, instalada no final da década de 1970.

Nas ruas de Xangai, famosa por ser um centro de compras no país, chineses passeiam com sacolas e mais sacolas de presentes. Afinal, o Ano Novo Chinês -- que segue o calendário lunar e no dia 26 de janeiro ingressará no Ano do Touro -- se aproxima, e, assim como presenteamos familiares no Natal, os chineses irão presentear uns aos outros. E eles não parecem muito preocupados com a crise econômica mundial. Mesmo diante de uma redução de crescimento na casa de 4% em 2008 -- a previsão pré-crise era de 12%, agora a extimativa é um bom 8% -- os chineses continuam a consumir e a cada mais pessoas ingressam no ideal de classe média. O Brasil enquanto isso segue em seu ritmo de lesma com uma previsão de crescimento de parcos 4%.

Temos muito o que aprender com os chineses. Eles pensam para frente. Estradas são construídas pensando que um dia o fluxo de carro será dobrado. Condomínios são planejados tendo em mente que a classe média irá crescer. Aqui se trabalha muito, o tempo todo, e se tem pouco tempo para pensar. Isso também é um fato triste da cultura local. Chineses, em geral, sabem pouco do seu passado ou mesmo de seu presente graças a forte censura do governo sobre o noticiário local e nacional, que se beneficia da apatia política dos chineses. Não parecem se importar com lazer tanto como nós, ocidentais. Isso está mudando aos poucos nas grandes cidades. É possível encontrar chineses bebendo no fim do expediente, freqüentando karaokês ou, simplesmente, colocando o papo em dia. Mas ainda é fato raro. Por isso, o Ano Novo Chinês é aguardado com tanto entusiasmo por todos, dos mais pobres aos mais ricos.

Para os mais pobres é hora de visitar os parentes e gastar quase todas as economias do ano nas passagens e presentes. Funcionários de chão de fábrica ganham de US$ 50 a US$100 por mês, além de um lugar para dormir ao lado da empresa, três refeições por dia e 15 horas de trabalho. Começam as 7 horas da manhã e param lá pelas 22h. Normal em um país onde não há contratos e muito menos direitos trabalhistas. É a lei da sobrevivência. Aqui se trabalha para suprir as necessidades básicas e também para se ficar rico. Há muito dinheiro rolando na China, carrões para todo lado e lojas de grife. Um país de grandes e profundos contrastes típicos de um país em desenvolvimento. Coisa que a nós brasileiros conhecemos muito bem!

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1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Estivemos visitando a China no ano de 2004 e realmente qualquer pessoa fica maravilhada com a grandeza e soberania do povo chinês. Tudo impressiona na China, desde a variedade em sua culinária (insetos, carnes, peixes, etc...) até suas enormes construções milenárias. Não podemos esquecer do típico "cheirinho" chinês. :% , nas ruas, aeroporto...
Bem, isso é China, uma beleza de contrastes e atrações de um povo guerreiro.

15 de janeiro de 2009 às 13:35  

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